Boa noite a todos! são 19h30, do dia 22 de Abril de 2009, iniciamos o lançamento oficial do cine clube da esquina.
O cinema é chamado de arte das imagens em movimento, arte do tempo, arte do espaço, arte da narrativa e talvez seja necessariamente arte de massa, há no cinema, tal como ele foi inventado e porque ele foi inventado – uma capacidade ainda indefinida de contemporaneidade.
Jacques Aumont
Exibiremos o filme “Tapete Vermelho”, dirigido por Luiz Alberto Pereira , podemos dizer que é uma comédia e seu centro é a luta de um caipira paulista para levar o filho ao cinema assistir um filme de Mazzaropi. Após a exibição conversaremos sobre o filme, juntamente com os músicos nossos convidados desta noite, Tarcisio (Manovéi) e Luiz Salgado.
Vamos assistir “Tapete vermelho” com os olhos de quem procura nele lições de cinema.
O cinema foi inventado há uns cento e quatorze anos em uma sociedade já industrial, em que as artes antigas eram bem antigas e bem historicizadas. O cinema surgiu fora da arte, como curiosidade científica, uma diversão popular e também como uma mídia (mídia é um meio de exploração do mundo) e, foi logo na década de 20, reivindicado como arte e como um meio de criação.
Podemos dizer que levar a sério o cinema é um dos objetivos do cine clube da esquina – projeto cultural realizado pela parceria entre a Associação cultural Novamídia, o SESC/ Uberlândia e a Secretaria Municipal de Cultura. E isso pode ser: o cinema é algo diferente da diversão, é algo diferente da indústria que organiza a diversão, cinema é meio de expressão fecundo e inventivo e não é espelho do mundo.
Antes da primeira guerra, a noção de cinema nacional nada dizia aos públicos, durante a década de 20 é que essa noção surge em resposta ao predomínio mundial de Hollywood, em vista do medo da americanização e do rival americano se tornar hegemônico cria-se a proteção das cinematografias, julgadas, a partir de então, de nacionais. O pós 30 com a sonorização fortalece a marca identitária e recentemente os estúdios hollywoodianos foram adquiridos por grandes e diversificados grupos de mídia ( convergência audiovisual) e, portanto, o objeto cinema muda de estatuto e o caráter nacional também.
Vamos exibir todas as semanas filmes nacionais e/ ou estrangeiros e falar sobre cinema. Exploraremos o conhecimento fílmico e extra fílmico através da recepção fílmica.
Como primeiro ponto, destacamos que ao escolher temáticas brasileiras não assumiremos um discurso sobre identidade essencial do brasileiro, sobre autenticidade e pureza culturais, mas redimensionaremos o próximo e o distante, através da mobilização consciente de diferenças culturais e sempre nos perguntando a serviço de que elas estão. Em segundo lugar afirmamos que a exibição de filmes - um dos componentes do macro segmento do audiovisual - é facilitador da criação de comunidades e sociabilidades, através da potência que tem o cinema de acentuar, de inventar espaços de solidariedade independentemente do idioma do filme e por fim destacamos que a exibição de produtos culturais, sejam eles massivos ou experimentais, terá como foco a procura de categorias em trânsito entre os filmes e as culturas.
Estendemos a partir de agora um tapete vermelho no mercado municipal de Uberlândia.
Sugestões para análise fílmica.
1- Descreva o começo e o final do filme
2- Faça uma sinopse do filme (máximo 5 linhas)
3- Aproximação da chanchada e antropofagia – o mecanismo fílmico chamado “inversão”: transformação do “pobre em nobre”, do “caipira em agente cultural” e como esse mecanismo nos leva a refletir sobre o sistema social onde a linguagem carnavalizante postula uma posição antropofágica.
4- Não comprometimento com a forma naturalista hollywoodiana – através do uso freqüente dos espaços cênicos dentro do filme (a cena da catira, a dos violeiros tocando no bar, Quinzinho tocando viola na praça, no bar) espaços quase teatrais que usados constantemente no filme elimina a afinidade com o naturalismo, com a reprodução fiel da realidade, com o verismo e a representação transparente. (BERNADET, COELHO.1982).
5- O filme é uma dramatização- cômica que parodia o parque exibidor de filmes no Brasil.
6- A temporalidade do filme – o filme é um presente, mas um presente voltado para o passado, um presente que talvez quisesses melhorar o passado e portanto um presente feito de tradições.
7- A técnica é visível no filme? – Cremos que sim em alguns momentos , um deles é a representação do ator Matheus Nachtergaelle nos deixando ver ser Quinzinho (personagem) e ser Mazzaropi. Matheus, vestido de Mazzaropi repetindo seus gestos e atitudes tem acesso livre ao imaginário que o personagem Mazzaropi inventou, e ao assumir o que é do outro o assume para degluti-lo numa fala perversora e desejosa de mudanças.
Terminamos dizendo que o mercado municipal, espaço carregado de significados, transformou-se nesta noite em personagem de uma história de cinema de Uberlândia.
Boa noite!
aos músicos Luiz Salgado e Tarcísio (Manovéi), quero dizer que a noite foi encantada por vocês;
aos nossos apoiadores: Blog da Saúde, Cult Blog, Jornal Correio, Programa Uberlândia, Hoje e Sempre, TV Integração, TV Paranaíba (Programa Tudo a ver), e aos comerciantes do mercado municipal que ficaram abertos para nos receber nesta noite, MUITO OBRIGADA.
Iara Helena Magalhães
Debatedora do filme “Tapete Vermelho”
Realização: Cine Clube da Esquina.
Associação Novamídia
SESC/ Uberlândia
Secretaria Municipal de Cultura